Paulo Corrêa de Luca
Os efeitos da decisão de Jorginho Mello na Capital
A decisão do governador Jorginho Mello em chamar o prefeito de Joinville, Adriano Souza, para compor a chapa como vice-governador nas eleições deste ano mexeu de forma direta com o tabuleiro político da Capital. O movimento teve impacto imediato em Florianópolis, especialmente porque o prefeito Topázio Neto vinha sendo cogitado nos bastidores para ocupar a vaga de vice e, a partir dessa possibilidade, já costurava compromissos políticos e alianças estratégicas.
Com a definição de Jorginho fora do eixo da Capital, esses acordos perdem força e sentido, provocando um efeito cascata na política municipal. A mudança esvazia expectativas, desmonta articulações em andamento e altera a lógica de compromissos que vinham sendo construídos por Topázio, tanto no plano estadual quanto no municipal. Topázio inclusive nomeou o ex-deputado Bruno Souza no cargo de secretário municipal de Assistência Social, reforçando a construção de um grupo político alinhado a um projeto estadual que, com a decisão do governador, acabou abruptamente interrompido.
Nesse contexto, um dos compromissos que vinha sendo costurado era o de consolidar a vice-prefeita Maryanne Mattos — que já passou pelo PDT e hoje integra o PL — como sucessora natural de Topázio Neto na Prefeitura. Embalada por essa expectativa, Maryanne passou a articular politicamente, realizando convites para a formação de um colegiado político-administrativo. Contudo, a nova direção imposta pelo governador desmonta esse arranjo: o projeto sucessório da vice perde sustentação, fica sem base política sólida e expõe como uma decisão tomada no plano estadual foi suficiente para desarticular acordos locais que, até então, pareciam bem encaminhados.
Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos.



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