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Florianópolis,29/06/2026

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Tarcíbulo Serratine Neto

BATUQUE NA COZINHA


BATUQUE NA COZINHA

Entre o samba, o mar e os sabores da vida: a história de Filé de Floripa

Algumas pessoas carregam o samba na voz. Outras, no coração. Luiz Fernando Silva, o querido Filé de Floripa, carrega o samba na alma e o transforma em tempero para a vida.

Filho de João Idalino da Silva, o eterno Pelé do Samba 7, e de Dona Dilma, Filé cresceu em um ambiente onde a música, a amizade e a boa comida faziam parte da rotina. Desde cedo, aprendeu que o samba não era apenas um ritmo, mas uma forma de viver.

Aos 12 anos, já acompanhava o pai ao tradicional parque montado no Aterro da Baía Sul, em Florianópolis. Era ali, ao lado da famosa barraca do saudoso Seu Ênio, entre o inesquecível berbigão ensopado, a omelete de camarão e as rodas de samba que atravessavam o dia, que o menino observava, aprendia e sonhava.

Quatro anos depois, aos 16 anos, ao lado de amigos apaixonados pela música, ajudou a fundar o Grupo Inspira Samba, iniciando uma caminhada que o colocaria definitivamente na história do samba catarinense.

O talento e a dedicação logo chamaram a atenção. Aos 21 anos, recebeu o convite para integrar o já consagrado Grupo Samba 7, ao lado do pai, Pelé, além de nomes como Toninho da Viola, Binha, Padilha e outros grandes bambas. Um verdadeiro privilégio para quem cresceu vendo aqueles artistas transformarem encontros em verdadeiras celebrações da cultura popular.

Em 2017, o Grupo Samba 7 comemorou seus 40 anos de trajetória. A festa reuniu mais de mil pessoas em uma noite inesquecível, coroando décadas de história. Para fechar as comemorações com chave de ouro, o grupo realizou uma turnê pelo Rio de Janeiro, berço do samba, sendo calorosamente recebido e reverenciado pelos cariocas. O reconhecimento era reflexo de uma carreira construída com humildade, respeito às tradições e um amor incondicional pela música.

Mas se o samba sempre ocupou um lugar especial em sua vida, a cozinha jamais ficou para trás.

Como todo bom sambista sabe, uma roda de samba quase sempre termina ao redor de uma mesa farta. Seja em um fundo de quintal, depois de uma partida de futebol ou entre amigos, a boa comida é parte da melodia da confraternização.

Dona Dilma cozinhava como poucas. Porém, foi um grande amigo da família, Jerônimo Dias, o querido Tio Minha, quem apresentou a Filé os segredos e os detalhes que transformam uma receita em memória afetiva. Os ensinamentos foram tão bem aproveitados que, ao longo dos anos, Filé se tornou um dos cozinheiros mais requisitados entre boleiros, sambistas e amigos para comandar panelões repletos de sabor e carinho.

Prestes a completar 53 anos, Filé vive uma nova fase de sua história. Há quase um ano integra a equipe do Restaurante O Porto da Pirataria, localizado na paradisíaca Baía dos Golfinhos, em Governador Celso Ramos. Especializado em frutos do mar e instalado em um dos cenários mais encantadores da Grande Florianópolis, o restaurante recebe seus clientes diariamente com buffet livre e serviço à la carte, sempre respeitando as condições climáticas que fazem parte da rotina de quem trabalha à beira-mar.

Entre tainhas, camarões, panelas fumegantes e rodas de samba, Filé continua fazendo o que sempre soube fazer de melhor: receber as pessoas com um sorriso aberto, muito gingado e aquele acolhimento que transforma clientes em amigos.

Porque há quem cozinhe para alimentar. Há quem toque para alegrar. E há pessoas como Filé de Floripa, que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo, provando que o melhor tempero da vida sempre será o amor pelas suas raízes.


@oportodapirataria




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