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Florianópolis,30/04/2026

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Shine Moura

Entre memórias e tamborins: a história de Solange Adão vai ecoar na Nego Quirido em 2027

Crédito da imagem: Daniela Passold
Entre memórias e tamborins: a história  de Solange Adão vai ecoar na Nego  Quirido em 2027

Os Protegidos da Princesa, mais antiga e uma das mais vitoriosas escolas de samba de Florianópolis, prepara um desfile carregado de significado para o Carnaval de 2027. A agremiação do Morro do Mocotó levará à Passarela Nego Quirido um enredo em homenagem à multiartista e arte-educadora Solange Adão, reconhecida por sua atuação na valorização da cultura negra e na luta das mulheres negras em Santa Catarina. 

Fundada em 1948, a escola acumula décadas de protagonismo no carnaval da capital catarinense, sendo considerada a maior campeã da história local, com mais de duas dezenas de títulos ao longo de sua trajetória. Ao longo dos anos, a Protegidos construiu sua identidade apostando em enredos que dialogam com memória, cultura popular e figuras históricas, reafirmando seu papel como agente cultural e político dentro da festa. 

Uma escolha coletiva e simbólica 

A definição do enredo para 2027 ocorreu de forma colegiada, reforçando o caráter comunitário da escola. O convite oficial a Solange Adão foi realizado no dia 7 de abril, em um momento marcado por emoção e reconhecimento. A escolha não surge por acaso. Em 2026, a escola já havia levado à avenida o enredo “14 de maio: o dia que ainda não acabou! Minha alma resiste e meu corpo é de luta!”, uma narrativa potente sobre os efeitos persistentes da escravidão e do racismo estrutural no Brasil A construção desse desfile contou com a colaboração da própria Solange, o que fortaleceu ainda mais os laços entre a artista e a agremiação. 

Quem é Solange Adão 

Arte-educadora, professora, atriz, escritora e artista, Solange Adão se consolidou como uma das vozes mais importantes na defesa da cultura afro-brasileira em Santa Catarina. Sua trajetória é marcada pelo trabalho com educação, arte e formação crítica, especialmente voltada às questões raciais e de gênero. 

Sua atuação ultrapassa os palcos e salas de aula, alcançando movimentos culturais e sociais que buscam promover equidade e visibilidade para a população negra, em especial para mulheres negras, historicamente invisibilizadas.

Carnaval como palco de resistência 

Ao escolher Solange Adão como tema, a Protegidos reafirma uma tradição que vai além do espetáculo. O carnaval, nesse contexto, se transforma em território de memória, denúncia e celebração. A própria história da escola carrega essa dimensão. Nascida no Morro do Mocotó, a agremiação sempre esteve ligada às comunidades populares e à valorização das raízes afro-brasileiras. Seus enredos frequentemente abordam temas ligados à negritude, cultura e identidade, consolidando o desfile como espaço de expressão política e 

cultural. 

Uma homenagem que também é afeto 

Além da relevância pública de sua trajetória, a escolha também carrega um componente afetivo. Solange Adão mantém uma relação próxima com a escola, sendo declaradamente apaixonada pela Protegidos da Princesa. 

Esse encontro entre história pessoal e história coletiva promete um desfile potente, onde vida e arte se entrelaçam na avenida. 

Expectativa para 2027 

A aposta em um enredo biográfico contemporâneo reforça uma tendência crescente no carnaval brasileiro: transformar trajetórias de vida em narrativas épicas, capazes de emocionar e provocar reflexão. 

Em 2027, a Nego Quirido deve assistir não apenas a um desfile, mas a um manifesto em forma de samba. Uma homenagem que ecoa como tambor: celebrando conquistas, denunciando desigualdades e reafirmando que resistência também se escreve com brilho, batuque e ancestralidade.



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