Filha do Vento: Protegidos da Princesa leva a força negra de Solange Adão para a avenida
A força de uma história que se confunde com a da própria escola
Chegou a vez de falar da mais antiga e maior campeã do Carnaval de Florianópolis, Os Protegidos da Princesa. Detentora do maior número de títulos da folia na Capital, a tradicional escola do Morro da Caixa, terminou o carnaval de 2026 em 5° lugar, agora aposta, para 2027, em um enredo que nasce dentro da própria comunidade e presta uma justa homenagem em vida a uma de suas grandes referências.
Com o enredo "A Filha do Vento: A Força Negra de Solange Adão", a escola contará na Passarela Nego Quirido a trajetória de uma mulher cuja história se confunde com a dos Protegidos da Princesa. Filha de um dos fundadores da agremiação, Solange Adão construiu uma caminhada marcada pela arte, pela educação, pela valorização da cultura afro-brasileira e pela luta em defesa da igualdade racial.
Nascida em Florianópolis, em 12 de janeiro de 1962, Solange Adão é artista, atriz, arte-educadora e ativista negra. Integrante da primeira turma de teatro do Estado de Santa Catarina, tornou-se uma das pioneiras das artes cênicas catarinenses, construindo uma sólida carreira no teatro, no cinema e em produções audiovisuais.
Sua trajetória acadêmica também reforça seu compromisso com a educação. É formada em Educação Artística pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), possui especialização na área da educação e atuou como professora de Artes na rede pública estadual, utilizando a cultura como instrumento de transformação social. Entre suas contribuições está a organização do livro pedagógico "Fazendo e Aprendendo", voltado à valorização da cultura afro-brasileira nas escolas.
Além da carreira artística e educacional, Solange Adão é reconhecida por sua intensa atuação no movimento negro catarinense. É idealizadora do Coletivo de Mulheres Negras Pegada Nagô e coordenadora da Feira Afro Artesanal, iniciativas que fortalecem o protagonismo feminino, a economia criativa e a valorização da identidade e da cultura afro-brasileira.
Muito mais do que uma homenagem, o enredo dos Protegidos da Princesa será um reconhecimento à mulher que transformou sua história pessoal em inspiração para gerações. Uma personagem que carrega no coração as raízes da escola e que, por meio da arte, da educação e da militância, ajudou a preservar a memória e fortalecer a identidade cultural da população negra de Santa Catarina.
Sem conquistar um campeonato desde 2015, os Protegidos da Princesa chegam ao Carnaval de 2027 determinados a encerrar um jejum de onze anos. A aposta em um enredo biográfico, profundamente ligado à própria comunidade, demonstra que a escola acredita na força de sua história e daqueles que ajudaram a construir sua grandeza.
A escolha de Solange Adão simboliza também o reconhecimento a tantas mulheres negras que, muitas vezes longe dos holofotes, sustentam a cultura popular, preservam tradições e inspiram novas gerações. Em 2027, os Protegidos da Princesa prometem transformar a avenida em um grande tributo à ancestralidade, à resistência, à arte e à força de uma mulher cuja vida representa, como poucas, o verdadeiro sentimento de ser dos Protegidos.
Se a tradição faz dos Protegidos da Princesa a maior campeã do Carnaval de Florianópolis, a emoção, a identidade e o pertencimento podem ser os ingredientes que levarão a escola a lutar pelo fim do jejum de títulos e pela conquista de mais um campeonato.



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