Tarcíbulo Serratine Neto
GEMADA CRESCE, BOTELHO CHEGA À ALESC E TOPÁZIO SAI FORTALECIDO DAS URNAS
Há histórias políticas que começam muito antes de uma urna eletrônica. A de Gemada é uma delas.
Gemada construiu sua trajetória a partir de uma vida simples. Começou cedo a trabalhar, vendendo banana recheada e amendoim, passou pelo transporte coletivo — como cobrador e depois motorista de ônibus — e chegou à política sem carregar sobrenome tradicional ou herança política. Em 2024, foi o vereador mais votado de Florianópolis.
Agora, praticamente aos 45 minutos do segundo tempo, o vereador foi chamado para colocar seu nome à disposição como candidato a deputado federal. E o resultado mostrou que Gemada já não pode mais ser tratado apenas como uma aposta local.
Com uma equipe de amigos aguerridos, o apoio de Fábio Botelho, eleito deputado estadual, e o respaldo político do próprio prefeito Topázio Neto, que declarou publicamente seu voto e apoio ao menino vendedor de bananas recheadas que chegou à política, Gemada conquistou mais de 21 mil votos.
O resultado o coloca como segundo suplente do Podemos, mas, muito mais do que uma suplência, a votação representa um recado importante para quem acompanha os movimentos da política da Grande Florianópolis.
Gemada conseguiu uma votação expressiva também fora da Capital. Em municípios como São José e Palhoça.
Ele ultrapassou a marca de 1600 votos em São José e dos 1000 votos em Palhoça, ficando à frente de nomes tradicionais da política regional.
Para uma candidatura construída praticamente no último momento, o resultado chama ainda mais atenção.
E talvez o principal aspecto dessa eleição seja justamente o potencial que esse resultado representa para o futuro.
Gemada está se cacifando para uma excelente disputa em 2028.
Em política, quatro anos podem representar uma eternidade. Mas também podem ser o tempo necessário para transformar uma votação expressiva em uma candidatura ainda mais competitiva.
A eleição de 2026 mostrou que existe espaço para Gemada crescer.
E o prefeito Topázio Neto também sai fortalecido.
Topázio conseguiu emplacar Fábio Botelho na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com 39.164 votos, e, ao mesmo tempo, deixou Gemada muito próximo de uma futura disputa por um espaço maior na política estadual e nacional.
É uma dobradinha que merece ser observada.
Os pleitos de 2028 e 2030 já estão na mesa e prometem muitas emoções, articulações e, certamente, surpresas.
O que hoje parece apenas uma suplência pode se transformar, amanhã, em um dos capítulos mais importantes da política de Florianópolis.
SÃO JOSÉ NÃO TERÁ UM DEPUTADO NOVAMENTE
Por falar em surpresa, nada surpreende mais do que o fato de São José, mais uma vez, não conseguir emplacar um deputado estadual.
Uma das maiores cidades de Santa Catarina, integrante de uma região eleitoral extremamente importante e com um eleitorado numeroso, São José continuará sem um representante direto na Assembleia Legislativa.
Michel Schlemper, que resolveu dar uma guinada em sua trajetória política, deixando para trás um histórico de aproximação com o PT em um passado não tão distante e se filiando ao PL para surfar na onda bolsonarista, acabou levando um caldo.
A mudança de posicionamento político não foi suficiente para garantir a cadeira.
Outra candidata que também não conseguiu uma votação expressiva em São José foi Marlene Fengler. E aqui existe um detalhe que não pode passar despercebido: a máquina da Prefeitura trabalhou pela campanha da candidata, tendo o prefeito Orvino Coelho de Ávila como seu cabo eleitoral oficial. Além disso, Marlene contava ainda com as bênçãos e o apoio político de Júlio Garcia, agora deputado federal eleito.
Mesmo com toda essa estrutura política, apoio e força eleitoral colocados à disposição de sua candidatura, Marlene não conseguiu transformar esse conjunto de forças em uma vaga na Assembleia Legislativa, obtendo apenas 1.355 votos em São José.
André Guesser e Cryslan também obtiveram votações importantes na totalidade do Estado, demonstrando força eleitoral, mas igualmente ficaram fora da Assembleia Legislativa.
E aqui está o ponto que São José precisa discutir:
como uma cidade tão importante politicamente continua sem conseguir eleger um deputado estadual?
Não faltam candidatos.
Não faltam votos.
Não falta eleitorado.
O que parece faltar é uma candidatura capaz de unir as diferentes forças políticas da cidade em torno de um único projeto regional.
Enquanto isso, Florianópolis mostra novamente sua força.
Topázio Neto emplaca Fábio Botelho com 39.164 votos na Alesc e deixa Gemada, candidato a deputado federal, como segundo suplente do Podemos, com mais de 21 mil votos.
O resultado de 2026 deixa algumas peças muito bem posicionadas para o próximo capítulo.
2028 já começou.
E, pelo que as urnas acabaram de mostrar, a Grande Florianópolis promete viver uma disputa política ainda mais intensa nos próximos anos.




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