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Florianópolis,06/09/2026

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Tarcíbulo Serratine Neto

Vídeo que rolava nas redes sociais causa saia justa e some


Vídeo que rolava nas redes sociais causa saia justa e some

Uma postagem considerada infeliz, de mau gosto e completamente desnecessária acabou provocando críticas e levantando uma discussão sobre união dentro do movimento tradicionalista

Por alguns dias, circulou pelas redes sociais um vídeo protagonizado por dois integrantes de um conhecido CTG da Grande Florianópolis. Sentados à mesa, os dois aparecem olhando o celular e comentando, de maneira irônica, uma manchete que anunciava o “Primeiro Acampamento da Semana Farroupilha da Grande Florianópolis”.

De início, é preciso fazer uma correção: a iniciativa anunciada tratava-se do primeiro Acampamento Farroupilha de Florianópolis, e não da Grande Florianópolis.

Mas o que realmente chamou a atenção não foi apenas o equívoco geográfico da manchete. Foi a maneira escolhida pelos integrantes do CTG para tratar do assunto.

E aqui, esta coluna não vai dourar a pílula: a criação e a publicação daquele vídeo foram de extrema infelicidade, de mau gosto e, sobretudo, desnecessárias.

Não há problema algum em defender a história de uma entidade, lembrar que determinado CTG realiza atividades há muitos anos ou valorizar o trabalho construído ao longo do tempo. Muito pelo contrário. A história de cada instituição merece ser preservada e respeitada.

O problema está na necessidade de tentar diminuir ou ironizar a iniciativa de quem também está trabalhando pela preservação da cultura e das tradições.

E a repercussão parece ter deixado isso bastante claro.

Nos comentários do vídeo, em vez de uma onda de apoio, o que se viu foram diversas manifestações criticando a postura adotada. Internautas questionaram justamente a necessidade daquela publicação e lembraram que o movimento tradicionalista deveria ser, acima de tudo, um movimento de união, fraternidade, cultura e respeito.

Afinal, se existe algo que não deveria faltar entre aqueles que defendem uma mesma cultura é justamente a capacidade de reconhecer o trabalho do outro.

Mas afinal, quem chegou primeiro?

A discussão também acabou entrando em um terreno interessante.

Um CTG é formado por pessoas que vivem na comunidade onde está localizado. E muitos dos centros de tradição gaúcha existentes em Santa Catarina foram criados e são mantidos por catarinenses que adotaram, admiraram e passaram a cultivar as tradições do Rio Grande do Sul.

Por outro lado, a primeira Semana Farroupilha de Florianópolis nasceu da iniciativa da Associação dos Gaúchos, formada por gaúchos que residem na capital, muitos deles na região dos Ingleses, que decidiram organizar uma celebração voltada diretamente às suas raízes, à sua história e à sua identidade cultural.

São histórias diferentes.

E justamente por isso não precisariam estar em conflito.

Uma coisa não apaga a outra.

Florianópolis dá espaço para todos.

Também é preciso reconhecer a postura da Prefeitura de Florianópolis, que, na administração do prefeito Topázio Neto, vem abrindo espaço para manifestações culturais de pessoas que vieram de outros estados e escolheram a capital catarinense para viver.

A realização da Semana Farroupilha é um exemplo.

Mas não foi o único.

Algumas semanas atrás, Florianópolis também recebeu uma festa junina organizada pela Associação dos Nortistas e Nordestinos residentes em Florianópolis.

Gaúchos, nortistas, nordestinos e tantos outros brasileiros que escolheram Florianópolis para chamar de casa trazem consigo suas histórias, seus costumes, sua música, sua gastronomia e suas tradições.

E quando a cidade abre espaço para que essas culturas sejam celebradas, todos ganham.

Florianópolis mostra, dessa forma, que pode receber diferentes culturas de braços abertos.

Uma postura que poderia, inclusive, servir de exemplo para outros municípios e também para instituições culturais da região.

Porque cultura não deveria ser uma disputa por território.

Cultura deveria ser soma.

O que realmente é tradição?

É perfeitamente legítimo que um CTG tenha orgulho de sua trajetória. É legítimo lembrar há quantos anos promove a Semana Farroupilha. É legítimo defender sua história e tudo aquilo que construiu.

O que parece não combinar com o verdadeiro espírito tradicionalista é transformar esse orgulho em uma espécie de competição para tentar desmerecer quem está chegando com uma nova iniciativa.

Talvez os dois integrantes que aparecem no vídeo não tenham imaginado a repercussão que suas palavras poderiam provocar. Talvez tenham entendido a postagem apenas como uma brincadeira.

Mas, em tempos de redes sociais, aquilo que é produzido como brincadeira pode ganhar proporções muito maiores.

E, nesse caso, a impressão deixada foi justamente a de uma atitude infeliz, de mau gosto e absolutamente desnecessária.

O vídeo, ao que tudo indica, acabou desaparecendo das redes.

Mas deixou uma pergunta:

quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

Ou, no caso da nossa discussão, quem chegou primeiro à história da tradição gaúcha em Florianópolis?

Talvez a resposta seja menos importante do que entender uma coisa muito simples:

ninguém precisa apagar a história do outro para escrever a sua própria.

Se existem diferentes grupos promovendo a cultura gaúcha em Florianópolis, que sejam muitos. Que tenham espaço. Que façam suas festas. Que cantem seus hinos, dancem suas músicas, preparem seu churrasco, tomem seu chimarrão e celebrem suas tradições.

Porque, no fim, o que deveria importar não é quem aparece mais.

É a cultura permanecer viva.



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