Artigo
Mais do que prever, é preciso estar preparado
Por Engenheiro Jackson Luiz Jarzynski
Por Engenheiro Jackson Luiz Jarzynski
Coordenador do Comitê de Gestão de Crise do CREA-SC
Os eventos extremos desafiam a capacidade de resposta das cidades, mas raramente surpreendem completamente quem trabalha com gestão de riscos. Antes que a chuva caia, o vento aumente ou o rio transborde, existe um trabalho silencioso de planejamento, monitoramento e prevenção que faz toda a diferença. É nesse momento, muitas vezes invisível para a sociedade, que a Engenharia exerce um de seus papéis mais relevantes: transformar conhecimento técnico em proteção à vida e ao patrimônio.
As projeções mais recentes da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil e da Epagri/Ciram indicam um cenário de atenção para Santa Catarina, diante da consolidação do fenômeno El Niño e da possibilidade de que ele alcance forte intensidade ao longo da primavera e do verão. Os boletins oficiais apontam aumento da probabilidade de chuvas acima da média, enxurradas, inundações, deslizamentos, temporais, granizo e rajadas intensas de vento, exigindo preparação antecipada de municípios, órgãos públicos e da própria população.
É justamente nesse contexto que o Comitê de Gestão de Crise do CREA-SC desenvolve seu trabalho. Formado por profissionais de diversas modalidades da Engenharia, Agronomia e Geociências, o Comitê atua em permanente cooperação com a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, compartilhando conhecimento técnico, acompanhando cenários de risco e colocando à disposição do poder público uma rede de especialistas capacitada para colaborar nas ações de prevenção, resposta e recuperação.
Essa parceria institucional tem sido construída por meio do diálogo permanente e da integração entre equipes técnicas, fortalecendo a capacidade de atuação diante de eventos extremos. Mais do que responder às emergências, o objetivo é contribuir para que decisões estratégicas sejam tomadas com base em critérios técnicos, planejamento e avaliação qualificada dos riscos.
Nos últimos anos, esse modelo de atuação foi colocado em prática em situações de grande complexidade. Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, profissionais integrantes do Comitê participaram das missões coordenadas pelos Conselhos Regionais de Engenharia do Sul do país, realizando inspeções, avaliações estruturais e emitindo laudos que auxiliaram gestores públicos na tomada de decisões sobre escolas, edificações e estruturas afetadas.
Outra experiência marcante ocorreu no município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, onde equipes técnicas dos CREAs da Região Sul contribuíram com o processo de avaliação e reconstrução após a ocorrência de um tornado. Em poucas horas de trabalho, centenas de imóveis foram vistoriados, demonstrando a capacidade de mobilização dos profissionais e a relevância da atuação técnica em momentos de crise.
Essas ações revelam um aspecto que muitas vezes passa despercebido pela sociedade. Por trás de cada ponte liberada, escola reaberta, edificação interditada por segurança ou obra recuperada existe o trabalho de engenheiros, geólogos, geógrafos, agrônomos, meteorologistas e diversos outros profissionais que colocam seu conhecimento a serviço da coletividade. Em muitas ocasiões, essa contribuição ocorre de forma voluntária, reforçando o compromisso social das profissões vinculadas ao Sistema Confea/Crea.
Diante das projeções climáticas para os próximos meses, o momento é de preparação, e não de alarmismo. Cabe aos gestores revisar planos de contingência, acompanhar as áreas mais vulneráveis, avaliar estruturas críticas e fortalecer as ações preventivas. À população, cabe buscar informações exclusivamente nos canais oficiais da Defesa Civil e acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos competentes.
O Comitê de Gestão de Crise do CREA-SC seguirá acompanhando permanentemente a evolução desse cenário, mantendo sua atuação integrada com a Defesa Civil e colocando à disposição de Santa Catarina a experiência e o conhecimento técnico de seus profissionais. Porque, quando a prevenção é planejada com responsabilidade e baseada na Engenharia, os impactos podem ser significativamente reduzidos. E, diante dos desafios impostos pela natureza, essa continua sendo a melhor resposta que podemos oferecer à sociedade.



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