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Florianópolis,01/02/2026

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Shine Moura

Morro do Mocotó: o nome que desafia o preconceito e afirma a cultura

Foto: LDRAO - EBLV
Morro do Mocotó: o nome que desafia o preconceito e  afirma a cultura

Entre vielas e mirantes que se projetam sobre o centro de Florianópolis, ergue-se o Morro do Mocotó, uma comunidade de profunda expressão cultural e histórica. Nas encostas do Maciço do Morro da Cruz, este morro nasceu de ocupações informais no início do século XX e ganhou seu nome a partir de uma tradição culinária local: moradoras preparavam mocotó (caldo de pé de boi) para vender aos operários da construção da Ponte Hercílio Luz (1922-1926), tornando-se um símbolo de resistência e sustento comunitário que ecoa até hoje na identidade cultural da Ilha

O berço do samba em Floripa

O Morro do Mocotó tem papel central na história do samba em Florianópolis. Os Protegidos da Princesa, fundada em 18 de outubro de 1948, é a escola de samba mais antiga da cidade, nascida diretamente da energia cultural desse território e das rodas de samba que ali ecoavam. Com mais de 25 títulos em campeonatos locais, é considerada a escola mais vezes campeã do carnaval florianopolitano um feito inédito que coloca Florianópolis no mapa do samba brasileiro. Criadores como Libânio da Silva Boaventura, Íbio Rosa, Sílvio Serafim da Luz e Benjamin João Pereira foram os pioneiros que transformaram a batucada local em uma escola estruturada, que serviu de praça pública para alegria, crítica social e identidade coletiva.

Sambistas e repertório popular

Entre as personalidades ligadas ao samba local, merece destaque Erotides Helena da Silva, a Nega Tide. Nascida em Florianópolis, ela começou sua trajetória ainda muito jovem associada às rodas de samba da região e à Protegidos da Princesa, antes de ganhar projeção no circuito carnavalesco da cidade. Tornou-se seis vezes consecutivas cidadã-samba, sendo uma figura emblemática do carnaval manezinho e símbolo da presença e liderança feminina na cultura do samba. Outro nome relevante é Altamiro José dos Anjos (Dascuia), importante dirigente e músico carnavalesco que ajudou a fortalecer a escola e influenciar o cenário do carnaval de Florianópolis, atuando como presidente da Protegidos da Princesa e incentivando a tradição do samba local.

Além do samba: cultura, gastronomia e resistência

O Morro do Mocotó vai muito além das baterias e dos desfiles. Sua história está conectada a práticas culinárias, festas coletivas e projetos de fortalecimento comunitário. Oficinas sobre a produção do prato que batizou a comunidade ensinadas no Instituto Federal de Santa Catarina reforçam a importância de preservar e difundir tradições que são parte indissociável da memória cultural de Florianópolis. Entidades como a Associação de Amigos da Casa da Criança e do Adolescente do Morro do Mocotó (ACAM) atuam há décadas para apoiar crianças e adolescentes com atividades culturais, esportivas e educativas, mostrando que a arte inclusive o samba é ferramenta de transformação social.

O valor da comunidade para Florianópolis

O Morro do Mocotó resume uma narrativa que entrelaça história, cultura afro-brasileira e luta social. É um lugar onde a música não é apenas som, mas identidade; onde as tradições culinárias são ensinamentos de resistência; e onde a alegria do samba convive com desafios socioeconômicos que a comunidade enfrenta com criatividade e solidariedade. Ao promover eventos culturais, rodas de samba, atividades gastronômicas e educação, o morro contribui para ampliar o olhar de Florianópolis sobre sua própria diversidade e riqueza cultural reafirmando que a cidade é mais ampla e diversa do que se percebe de suas praias e cartões-postais.



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