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Florianópolis,01/02/2026

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Cláudia Menezes

Entre o riso e a ausência: a saudade de Paulo Gustavo


Entre o riso e a ausência: a saudade de Paulo Gustavo

A saudade também acorda com a gente

Há saudades que não fazem barulho, mas pesam. Elas chegam de mansinho, se acomodam no peito e ficam. A do Paulo Gustavo é assim.

Quando ele morreu, eu estava na UTI. Acordei depois de dias difíceis e, entre tantas notícias que mudam a forma como a gente olha para a vida, veio aquela que me atravessou de um jeito diferente. Paulo Gustavo tinha partido. Mesmo fragilizada, senti uma tristeza profunda, quase íntima — como se tivesse perdido alguém próximo, mesmo sem nunca tê-lo conhecido pessoalmente.

Talvez porque ele fazia isso com a gente. Entrava nas casas, nas salas, nos quartos, nos domingos de descanso e nos dias difíceis. Fazia rir quando rir parecia impossível. Paulo Gustavo tinha esse dom raro: o de transformar dor em humor, caos em afeto, exagero em verdade.

Ontem, assistindo a Vai que Cola, a saudade bateu forte. Não era só nostalgia de um programa engraçado, mas a lembrança viva de alguém que fazia o Brasil rir de si mesmo, das próprias famílias, das próprias contradições. Um riso que acolhia, não que zombava. Um humor que abraçava.

É impossível assistir a qualquer programa com Paulo Gustavo sem lembrar de como ele parecia ser fora dos holofotes, especialmente com os colegas de trabalho. Em cena, transparecia alguém amigo, acolhedor e verdadeiro. As trocas eram naturais, os olhares cúmplices, o riso compartilhado. Havia ali mais do que atuação: havia afeto. Essa impressão de generosidade — de quem fazia questão de incluir, proteger e valorizar quem estava ao lado — torna sua ausência ainda mais sentida.

Infelizmente, nunca tive a oportunidade de conhecê-lo. Mas, de certa forma, conheci. Conheci pela risada solta, pela emoção inesperada no meio da comédia, pela sensação de pertencimento que ele criava. Conheci pela Dona Hermínia, pelas histórias exageradas que, no fundo, eram retratos muito reais de quem somos.

Paulo Gustavo se foi cedo demais. E talvez por isso a saudade seja tão presente. Porque ele já fazia tanta falta e faz ainda mais agora, em um tempo que anda tão carente de leveza, empatia e humanidade.

Algumas pessoas passam pela nossa vida sem nunca terem nos encontrado, mas deixam marcas profundas. Paulo Gustavo é uma delas. Ele partiu, mas ficou. Ficou no riso, na memória e nesse sentimento silencioso que, de vez em quando, aperta o peito e lembra: faz falta, sim.



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