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Florianópolis,26/10/2026

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Tarcíbulo Serratine Neto

Lula vira o jogo e vence o segundo turno, deixando perguntas no ar e adiando seu fim político e o do PT


Lula vira o jogo e vence o segundo turno, deixando perguntas no ar e adiando seu fim político e o do PT

Lula vira o jogo e vence o segundo turno, deixando no ar muitas perguntas e postergando o que alguns analistas consideravam ser o seu fim político e o do Partido dos Trabalhadores (PT), levando em conta sua idade e principalmente que em 20 anos Lula não fez questão de preparar alguém para substituí-lo como líder, mas sim, manter em sua volta coadjuvantes como Dilma e Haddad que não tem capacidade administrativa e muito menos votos.

Lula se elege com um total de 64.256.232 votos, abrindo uma diferença de 10.376.694 votos em relação a Flávio Bolsonaro.

O que chama a atenção nesses números é que, para explicar essa diferença, seria necessário considerar a transferência de votos dos candidatos que disputaram o primeiro turno em favor de Lula. Zema, Caiado, Cury e Renan Santos totalizaram, juntos, 8.257.834 votos. É razoável afirmar que não existe transferência de 100% dos votos de um candidato para outro em nenhuma disputa eleitoral.

Sendo assim, ainda faltariam 2.118.860 votos para fechar essa conta e explicar a diferença final entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O que causa estranheza é que os demais candidatos declararam apoio a Flávio Bolsonaro. Caiado, inclusive, esteve lado a lado com o candidato do PL durante o segundo turno.

Zema, por sua vez, praticamente desapareceu do cenário eleitoral, enquanto Minas Gerais, estado considerado decisivo para a direita e tradicionalmente visto como fiel da balança eleitoral, acabou elegendo Lula.

Outra curiosidade que ainda promete render muitas discussões é o procedimento adotado em relação ao horário de votação, que teria sido estendido, em uma situação apontada por críticos como semelhante ao que ocorreu nas eleições venezuelanas de Nicolás Maduro. A questão levanta dúvidas e questionamentos que merecem ser esclarecidos com base em informações oficiais.

Para tornar a situação ainda mais controversa, o Partido dos Trabalhadores, em vez de ingressar com um pedido diretamente junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável pela administração e fiscalização das eleições, teria recorrido ao Supremo Tribunal Federal (STF), instituição que já enfrenta críticas e questionamentos quanto à sua atuação e à sua imparcialidade.

Como se não bastasse, sem que houvesse sorteio da matéria entre os magistrados, a decisão teria sido tomada de forma monocrática pelo ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula e indicado por ele para ocupar uma cadeira na Suprema Corte. O episódio alimenta críticas sobre a concentração de poder e os procedimentos adotados no caso.

O que, para alguns especialistas, era considerado um cenário de provável derrota de Lula e do PT nessas eleições acabou tomando outro rumo. A disputa deixa questionamentos em aberto, inclusive diante da avaliação de que, historicamente, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na liderança havia sido derrotado no segundo.

Agora, resta saber se o departamento jurídico de Flávio Bolsonaro tomará alguma iniciativa diante dos acontecimentos ou se a direita aceitará os resultados apresentados, consolidando o retorno de Lula à Presidência da República para um quarto mandato.

Vale lembrar que, se não houver mudanças na postura de determinados parlamentares eleitos para as duas Casas Legislativas, Lula poderá ocupar a cadeira presidencial, mas encontrar dificuldades para exercer plenamente seu poder político. Isso porque a composição do Congresso Nacional, com uma expressiva presença de parlamentares de direita e de oposição ao governo, poderá dificultar — e, em determinadas situações, até impedir — a aprovação de propostas e a implementação de medidas defendidas pelo presidente.

Agora, resta aguardar os próximos capítulos desse cenário político e torcer para que os próximos quatro anos de governo Lula e do PT sejam o menos prejudiciais possível à população brasileira.

Nota editorial: As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do colunista e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial deste veículo de comunicação.



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