Tarcíbulo Serratine Neto
Morre aos 86 anos Aldo de Souza, pescador tradicional da Armação do Pântano do Sul
A Armação do Pântano do Sul perdeu hoje por voltas das 5:30 da manhã, uma de suas figuras mais tradicionais. Morreu aos 86;anos Aldo Corrêa de Souza, o Seu Aldo, homem do mar, pescador e personagem que ajudou a construir, com sua história de vida, parte da memória da comunidade da Armação.
Seu Aldo carregava no rosto e nas palavras as marcas de uma vida inteira ligada ao mar. Pescador tradicional, conhecia como poucos os caminhos da pesca artesanal, as mudanças das marés, os segredos da natureza e as histórias que foram sendo passadas de geração em geração entre as famílias da região.
Sua trajetória também esteve ligada a um período em que a relação do homem com o mar era ainda mais intensa e em que a pesca fazia parte da sobrevivência e da identidade das comunidades do Sul da Ilha.
Mais do que um pescador, Seu Aldo era um verdadeiro contador de histórias. E quem teve a oportunidade de sentar ao seu lado e ouvi-lo sabe que cada conversa carregava uma lembrança, uma passagem da vida e um pedaço da história da Armação.
Este colunista teve o privilégio de conviver com esta família e, durante várias oportunidades, pôde sentar, conversar e ouvir as histórias de Seu Aldo. Histórias contadas com simplicidade, mas que carregavam uma riqueza enorme de memória, de conhecimento e de vivências.
É justamente nesses momentos que percebemos que algumas pessoas vão muito além da própria existência. Elas se tornam parte da história de uma comunidade.
Seu Aldo era desses homens.
Sua vida esteve entrelaçada com a Armação do Pântano do Sul, com seus pescadores, suas famílias, suas tradições e com aquele jeito simples de quem aprendeu desde cedo que o mar ensina, mas também cobra respeito.
A sua partida deixa saudade na família, nos amigos e em todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Mas deixa também um legado que não se perde: o das histórias contadas, dos ensinamentos compartilhados e de uma vida dedicada ao mar e à comunidade.
Hoje, a Armação se despede de um de seus filhos.
O mar, que durante décadas foi companheiro de Seu Aldo, agora guarda também suas histórias.
E para aqueles que ficam, permanece a lembrança de um homem simples, trabalhador e dono de uma memória que ajudava a contar a própria história da Armação do Pântano do Sul.
Descanse em paz, Seu Aldo.
Que sua família encontre conforto neste momento de dor e que sua história continue sendo lembrada por todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Por aí com Serratine — Convicção News.



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