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Florianópolis,30/06/2026

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Kelly Corrêa

Muito além da Copa: o que a sexualidade revela sobre os países do futebol


Muito além da Copa: o que a sexualidade revela sobre os países do futebol

Quando pensamos em Copa do Mundo, logo vêm à cabeça futebol, torcida, bandeiras e paixão pelo esporte. Eu, como sexóloga e apaixonada por viagens, gosto de ir além dos estádios. Em cada país que conheço, procuro entender também como aquele povo vive sua sexualidade. E posso afirmar: conhecer a intimidade de uma cultura é uma das formas mais interessantes de compreender sua história.

Ao longo das minhas viagens, descobri que aquilo que para nós pode parecer estranho ou até polêmico, para outros povos faz parte da tradição, da arte ou da maneira como enxergam a vida.

Em Nova York, visitei o famoso Museu do Sexo. Diferente do que muitos imaginam, não é um espaço de apelo erótico, mas um museu que reúne história, ciência, arte e comportamento para mostrar como a sexualidade acompanha a humanidade ao longo dos séculos. A visita nos faz refletir sobre quantos tabus ainda carregamos.

Na Holanda, em Amsterdã, caminhei pelo famoso bairro da Luz Vermelha. Ver mulheres trabalhando atrás de vitrines pode causar estranhamento para quem visita pela primeira vez. Mas ali a prostituição é regulamentada, fiscalizada e faz parte de uma política pública que busca oferecer direitos, segurança e condições dignas de trabalho. Independentemente da opinião de cada um, é impossível não perceber como diferentes culturas lidam de maneiras distintas com um mesmo tema.

Outra experiência que me marcou foi no Peru. Em Lima, visitei o Museu Larco, onde existe uma impressionante galeria dedicada à sexualidade dos povos pré-colombianos. As famosas cerâmicas da cultura Moche retratam relações sexuais, gravidez, fertilidade, maternidade e diferentes expressões da intimidade humana. O mais interessante é perceber que, há mais de mil anos, essas representações eram vistas como parte natural da vida, muito antes de muitos dos tabus que conhecemos atualmente.

No Japão, outra curiosidade chama atenção: os famosos Love Hotels. Criados para oferecer privacidade aos casais, esses hotéis se tornaram uma verdadeira marca da cultura japonesa. Muitos possuem quartos temáticos e fazem parte do cotidiano, principalmente em grandes cidades onde as famílias vivem em espaços reduzidos.

Na Alemanha, é comum encontrar saunas e espaços de bem-estar onde a nudez é encarada com absoluta naturalidade. O corpo não é automaticamente associado ao erotismo, mas ao respeito, à saúde e ao conforto.

Já a França continua sendo conhecida por tratar a sexualidade com mais leveza. O romantismo, a arte e a valorização dos relacionamentos fazem parte da identidade cultural francesa, onde falar sobre prazer e afeto costuma ser mais natural do que em muitos outros países.

Viajar me ensinou que não existe uma única maneira de viver a sexualidade. Cada povo construiu seus próprios costumes, influenciados pela religião, pela história, pela política e pela cultura.

E talvez essa seja a maior lição que a Copa do Mundo também nos oferece. Assim como aprendemos a admirar diferentes estilos de futebol, também podemos aprender a respeitar diferentes formas de viver, amar e compreender a sexualidade.

Porque conhecer um país vai muito além dos cartões-postais. É conhecer sua história, seus costumes e, principalmente, entender que a diversidade humana é uma das maiores riquezas que existem.



Kelly Corrêa

Sexóloga • Terapeuta Sexual • Palestrante • Escritora



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