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Florianópolis,04/05/2026

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Kelly Corrêa

Dia das mães - Flores ou vibradores? E quem sabe… os dois?

Depois de duas décadas ouvindo histórias femininas, identifiquei um padrão silencioso: quando a maternidade ocupa todo o espaço, a mulher — muitas vezes — deixa de se escutar.


Dia das mães - Flores ou vibradores? E quem sabe… os dois?

Maio chega com flores, homenagens e uma narrativa já conhecida: mãe é amor, entrega, cuidado.

Mas talvez esteja na hora de ampliar essa visão.

Porque existe uma pergunta que ainda causa desconforto — e, justamente por isso, precisa ser feita: por que ainda é tão difícil reconhecer que mães também desejam?

A ideia pode parecer provocativa — flores ou vibradores? Mas o ponto nunca foi o objeto em si.

O que está em jogo é o que ele simboliza. Flores representam carinho, reconhecimento, afeto.

Mas e o prazer?

E o corpo dessa mulher?

E a sua individualidade para além da função materna?

Na prática clínica, o que mais observo não é a falta de amor — é o excesso de apagamento.

Mulheres que se dedicam tanto ao outro que, sem perceber, deixam de se perceber. Que cumprem todos os papéis, mas se distanciam de si mesmas. Que seguem funcionando… mas já não se sentem inteiras.

E aqui é importante fazer uma distinção: desejo não é apenas sexual. Desejo é vitalidade. É presença no próprio corpo.

É autoestima. É sentir-se viva na própria história.

Quando isso se perde, não é só a relação com o outro que muda — é a relação consigo mesma que se fragiliza.

Talvez o incômodo social não esteja no presente inusitado, mas na ideia de uma mulher — mãe — que se escolhe.

Que se escuta.

Que se prioriza.

Que se permite sentir.

Então talvez a pergunta não seja “flores ou vibradores”.

Mas sim:

por que ainda precisamos escolher?

Por que ainda é difícil sustentar que uma mulher pode ser afetuosa…e desejante?

Cuidadora…e conectada com o próprio prazer?

Neste mês das mães, talvez o convite mais honesto seja outro: reconhecer que essa mulher pode — e deve — existir por inteiro.

E que, se for para presentear, que seja com algo que também a reconecte com ela mesma.

Flores… ou vibradores?

Quem sabe, os dois.

Qual sua opinião? 


Kelly Corrêa

Sexóloga • Terapeuta Sexual



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