Colônia Grega de Florianópolis promove almoço festivo para celebrar o Dia do Imigrante Grego
Para quem ainda desconhece a história da chegada dos primeiros imigrantes gregos a Santa Catarina, vale lembrar que o Estado é considerado o primeiro território brasileiro a receber uma comunidade grega organizada, dando origem à mais antiga Colônia e Associação Helênica do Brasil.
A história remonta ao ano de 1883, quando os primeiros gregos, oriundos da Ilha de Kastellorizo, chegaram à então Desterro a bordo de uma embarcação comandada pelo capitão Savas Nicolau Savas.
Conta a história que o destino da embarcação era Montevidéu, capital do Uruguai.
Entretanto, diante de um forte mau tempo, o navio precisou buscar abrigo nas águas das baías de Desterro.
Ao avistarem os casarios da cidade, alguns dos gregos teriam identificado semelhanças com construções existentes em localidades de sua terra natal. O fato de também estarem diante de uma ilha teria contribuído para que decidissem permanecer por aqui.
Assim começou a trajetória da comunidade grega em Santa Catarina e a formação daquela que se tornaria a primeira Colônia Grega do Brasil.
Depois de 1883, novos gregos encontraram em Florianópolis um novo começo.
A chegada dos primeiros imigrantes em 1883 não encerrou o movimento migratório. Ao longo das décadas seguintes, outros gregos também escolheram Florianópolis como destino, buscando na cidade um novo recomeço e oportunidades para construir suas vidas.
Entre esses imigrantes estava Demétrio Stratinis, posteriormente Serratine, bisavô deste colunista, que chegou a Florianópolis no ano de 1906.
No ano seguinte, em 1907, Demétrio casou-se com Diamantina Nunes Serratine, dando início a mais um capítulo da história de uma família de origem grega que passaria a fazer parte da formação social e econômica da Capital catarinense.
Demétrio era filho de Giorgos e Maria Stratinis, integrantes de uma família originária da Ilha de Lesvos, mais precisamente de sua capital, Mitylini.
A trajetória de Demétrio representa também uma parte dessa história maior da imigração grega em Florianópolis: homens e mulheres que deixaram suas terras de origem, atravessaram o mar e encontraram na Capital catarinense um lugar para reconstruir suas vidas, constituir suas famílias e deixar suas marcas nas gerações seguintes.
Gregos que ajudaram a construir a história de Florianópolis.
A presença grega teve importante participação no desenvolvimento econômico de Florianópolis, especialmente no comércio, onde diversas famílias construíram histórias que atravessaram gerações.
Um dos episódios que chama atenção está relacionado à construção da Ponte Hercílio Luz. Um imigrante grego, que atuava como escafandrista, trouxe para o Brasil seu equipamento de mergulho — uma pesada roupa utilizada para trabalhos subaquáticos — e seus conhecimentos e equipamentos teriam sido utilizados durante as obras das fundações da ponte.
Entre as famílias tradicionais que fizeram história no comércio da cidade estão os Kotzias, que permanecem atuando no ramo de tecidos e que, durante muitos anos, também mantiveram estabelecimentos voltados à comercialização de utensílios para o lar.
Também se destacaram os Stratinis, posteriormente Serratine, que atuaram em diferentes segmentos, entre eles lavanderia, açougue, alfaiataria, loja de calçados e prótese dentária.
A família Karabalis também construiu sua trajetória no comércio, especialmente no ramo de materiais de papelaria.
Além do comércio, outras famílias de origem grega tiveram participação importante em áreas como medicina e advocacia, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento da sociedade florianopolitana.
Outras famílias gregas que fizeram história em Florianópolis
A presença da comunidade helênica na Capital catarinense também pode ser identificada em diversas outras famílias que, ao longo dos anos, ajudaram a preservar e ampliar a história da imigração grega na cidade.
Entre os sobrenomes de famílias gregas que fazem parte dessa trajetória estão:
Athanazios, Atherino, Berçou, Christofis, Chruyssaki, Chrystakis, Chrystoval, Comninos, Constantópulos, Dimatos, Elias, Femanis, Garofal, Garofallis, Haviaras, Ikonomos, Joanides, Kailis, Kalafatás, Karabalis, Katcipes, Komninos, Kotzias, Lakierdis (Lacerda), Mazarakis, Meintanis, Pandazidis, Pítsica, Savas, Serratines, Sirydakis, Spyrides, Stavianou, Triantafillis e Tzelikis.
São sobrenomes que ajudam a contar uma história que vai muito além de uma simples imigração. São famílias que constituíram negócios, formaram laços, criaram seus filhos e netos e passaram a fazer parte da própria identidade de Florianópolis.
Mantendo viva a cultura e a tradição grega
Com o passar dos anos, as novas gerações fizeram com que os nomes dessas famílias se multiplicassem e se integrassem cada vez mais à história de Florianópolis.
Apesar disso, são cada vez menos numerosos os descendentes que mantêm uma ligação frequente com a Igreja Ortodoxa São Nicolau, localizada na Rua Tenente Silveira, no Centro da Capital, que também abriga a sede da Associação Helênica de Florianópolis.
A atual diretoria, para o biênio 2025–2027, tem como presidente Andréas Evangelo Karabalis e vem desenvolvendo um trabalho voltado à preservação da história, das tradições e da cultura grega em Florianópolis.
E uma das grandes ações deste calendário será a realização da Festa Grega, marcada para o próximo dia 3 de outubro, a partir do meio-dia, na ASSESFSC, em Capoeiras.
O encontro promete reunir descendentes, integrantes da comunidade grega, amigos e convidados em uma verdadeira celebração da cultura helênica.
A programação contará com apresentações de danças típicas gregas, buffet de almoço com pratos tradicionais da culinária grega, doces típicos e, claro, um dos momentos mais conhecidos e simbólicos das festas gregas: a tradicional quebra de pratos.
Mais do que um almoço festivo, a celebração representa uma oportunidade de reencontro com as raízes, de preservação da memória e de valorização da contribuição dos imigrantes gregos para a construção da história de Florianópolis.
Vendas de ingressos pelo site pensa no evento.
Uma história que começou em 1883, ganhou novos capítulos com a chegada de outras famílias — entre elas a de Demétrio Stratinis (Serratine) — e que, mais de um século depois, continua sendo contada, celebrada e mantida viva pelas novas gerações.
Demétrio Stratinis (Serratine) patriarca da família, chegou em 1906



COMENTÁRIOS