Seja bem-vindo
Florianópolis,06/09/2026

  • A +
  • A -

Scheila Lemos, da Secretaria de Educação de Florianópolis, é homenageada na 4ª Virada Cultural Antonieta de Barros


Scheila Lemos, da Secretaria de Educação de Florianópolis, é homenageada na 4ª Virada Cultural Antonieta de Barros

Pedagoga e servidora pública foi uma das 20 mulheres negras reconhecidas durante o evento realizado no Museu da Escola Catarinense

A educação como instrumento de transformação, a valorização da cultura e o compromisso com as crianças marcam a trajetória da pedagoga Scheila Lemos, uma das 20 mulheres negras homenageadas na 4ª Virada Cultural Antonieta de Barros, realizada neste sábado, 5 de setembro, no Museu da Escola Catarinense (MESC), em Florianópolis.

O evento, que chega à sua quarta edição, tem como objetivo reconhecer mulheres negras de Santa Catarina que se destacam em diferentes setores da sociedade e que, por meio de suas histórias e atuações, contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Entre as homenageadas deste ano esteve Scheila Lemos, servidora concursada da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis. Atualmente atuando no Departamento de Operações Patrimoniais (DEOP), Scheila carrega consigo uma trajetória profissional construída essencialmente dentro da educação pública e das comunidades.

Nascida na comunidade do Morro da Caixa, no Mont Serrat, em Florianópolis, Scheila cresceu entre a Rua General Vieira da Rosa e a Rua Clemente Rovere. Caçula de três irmãos, é filha de uma mãe que trabalhou como auxiliar de serviços gerais e de um pai pintor. Foi a primeira pessoa da família a conquistar um curso superior, tornando sua formação acadêmica uma conquista que ultrapassou a dimensão pessoal e passou a representar também a força e a importância da educação dentro de sua própria história familiar.

Scheila estudou na extinta Escola Antonieta de Barros e concluiu o segundo grau no Colégio Lauro Müller. Posteriormente, cursou Magistério no Instituto Estadual de Educação (IEE) e graduou-se em Pedagogia pela Universidade Castelo Branco. Na busca permanente pelo aperfeiçoamento profissional, também realizou duas pós-graduações: Psicopedagogia e Gestão e Administração Escolar.

A chegada à universidade, sendo a primeira de sua família a alcançar esse nível de formação, reforçou uma convicção que acompanha Scheila até hoje: a educação pode romper barreiras, ampliar horizontes e abrir caminhos que muitas vezes parecem distantes para quem nasce e cresce em comunidades.

Em 2013, prestou concurso público para a Prefeitura Municipal de Florianópolis e ingressou na rede como auxiliar de sala. Dois anos depois, em 2015, passou a atuar como profissional volante, ampliando sua experiência e sua vivência dentro da Rede Municipal de Educação.

Em 2018, candidatou-se à direção do NEIM Nossa Senhora de Lourdes, assumindo um desafio que, naquele momento, não despertava o interesse de muitos profissionais. No mesmo ano, passou a integrar a equipe do NEIM João Machado da Silva, unidade que se tornaria fundamental em sua trajetória.

Em 2024, recebeu o convite para assumir a direção do NEIM João Machado da Silva. À frente da unidade, desenvolveu um trabalho pautado na valorização da educação, na conscientização sobre as relações étnico-raciais, na inclusão da arte e da cultura no cotidiano das crianças e no fortalecimento dos vínculos entre escola e comunidade.

Foi nesse período que o teatro ganhou espaço especial dentro do NEIM, utilizado como ferramenta de expressão, aprendizagem e transformação.

Uma das frases que norteavam o trabalho de Scheila com sua equipe traduzia sua maneira de enxergar a educação:

“Precisamos mostrar para as nossas crianças da comunidade que existe vida além do morro.”

A frase, segundo Scheila, nunca significou negar as origens ou a identidade das crianças. Ao contrário. Significa ampliar horizontes e mostrar que elas podem sonhar, estudar, conhecer novos espaços, ocupar diferentes lugares e construir suas próprias histórias.

Educação como chave para abrir caminhos

Ao falar sobre sua relação com as crianças e sobre sua atuação, Scheila faz questão de destacar que sua principal ferramenta de transformação é o conhecimento.

Minha militância com meus pequenos limita-se ao conhecimento. Por ter meu histórico familiar e profissional sempre em comunidades, enfatizo que só a educação traz a chave que abre as portas para o outro mundo que existe fora de onde muitos nascem, crescem e não conheceram além do muro imaginário que divide a sociedade.”

E completa:

“A educação, a vontade e a busca por conhecimento chancelam esse passaporte.”

Para Scheila, educar também significa oferecer às crianças experiências que talvez não estejam disponíveis em seu cotidiano. É apresentar a arte, o teatro, a cultura e novas possibilidades, permitindo que cada criança compreenda que seu futuro não precisa estar limitado pelo lugar onde nasceu.

Sua atuação também foi marcada pela defesa da escola como espaço de proteção, aprendizagem e cidadania. Mesmo diante de resistências e contrariedades, manteve o propósito de preservar a unidade escolar como um ambiente seguro para as crianças e de garantir que o trabalho pedagógico permanecesse acima de interesses externos.

Um trabalho que nem sempre aparece.

Apesar de uma trajetória construída ao longo de anos dentro da educação pública, Scheila reconhece que trabalhos como o seu nem sempre recebem a visibilidade que merecem.

Para ela, existe uma tendência de concentrar os holofotes sobre pessoas que estão na mídia, enquanto inúmeros homens e mulheres negros desenvolvem diariamente, de maneira silenciosa, trabalhos de transformação dentro das comunidades, escolas e espaços públicos.

Scheila também admite que, em alguns momentos, sentiu falta de reconhecimento dentro do próprio meio negro, inclusive diante de disputas de espaço ou da maior valorização de pessoas que possuem visibilidade pública.

Mas sua compreensão é outra: cada pessoa tem uma maneira diferente de contribuir.

“Cada um dá aquilo que tem de melhor. Eu dou o meu trabalho, a minha educação, a minha arte e tudo aquilo que posso construir para as nossas crianças.”

É justamente por isso que Scheila não escolheu o caminho dos holofotes. Escolheu estar presente onde acredita que a transformação começa: na educação, na comunidade e na vida das crianças.

Ela não trabalha para aparecer.

Ela trabalha para transformar.

A transformação, para Scheila, pode acontecer dentro de uma sala de aula, na conversa com uma criança, na valorização de uma identidade, na apresentação de uma peça teatral, na oportunidade oferecida a uma família ou simplesmente na coragem de mostrar a uma criança que existem caminhos além daqueles que ela consegue enxergar naquele momento.

Mais do que buscar reconhecimento pessoal, ela deseja que seu trabalho produza resultados na vida de quem passa por sua trajetória.

Que uma criança descubra novas possibilidades.

Que uma criança negra reconheça sua beleza, sua história e seu potencial.

Que a arte desperte sonhos.

Que a educação abra portas.

Uma homenagem que reconhece uma trajetória.

A homenagem recebida na 4ª Virada Cultural Antonieta de Barros chega, portanto, como reconhecimento a uma caminhada construída longe dos holofotes, mas próxima das pessoas.

Uma trajetória que continua sendo construída, marcada pela superação, pela coragem de assumir desafios e, principalmente, pela convicção de que a educação é capaz de transformar vidas.

Hoje, mesmo atuando em outra função dentro da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis, Scheila continua levando consigo as experiências acumuladas durante anos de trabalho junto às crianças, às famílias, às comunidades e aos profissionais da educação.

Sua convicção permanece a mesma:

“Somente a educação pode transformar o mundo.”

A história de Scheila Lemos mostra que nem toda transformação acontece em grandes palcos. Algumas começam em uma sala de aula. Outras, em uma conversa. Algumas nascem de uma peça de teatro, de um livro, de uma oportunidade ou do simples gesto de dizer a uma criança que ela pode ir além.

Sem buscar os holofotes, mas fazendo acontecer.

Sem desistir diante das dificuldades, mas defendendo oportunidades para todos.

Porque, para Scheila, educar é muito mais do que ensinar.

É abrir caminhos.

É ampliar horizontes.

É transformar realidades.

É acreditar que toda criança pode escrever uma história diferente.

E a homenagem recebida na 4ª Virada Cultural Antonieta de Barros representa justamente isso: o reconhecimento de uma mulher que escolheu fazer da educação, da arte e do compromisso com as crianças a sua forma de transformar o mundo.





COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.