No Summit Cidades, João Santana define polarização brasileira: "Jabuticaba"
Marqueteiro político de eleições históricas afirmou que episódio do "8 de janeiro é a maior prova de que o país não estava dividido em dois"
Renan Turra/Divulgação/Fepese Um dos nomes mais aguardados da sexta edição Summit Cidades, em Florianópolis, o marqueteiro político João Santana fez uma palestra que lotou o palco Compol nesta quarta-feira (24). Na ocasião, o responsável por campanhas de Lula, Dilma Roussef e outras lideranças confrontou o que chamou de "maior lenda da política brasileira": para ele, o país não vive um ambiente de polarização ideológica estrutural. Ainda que reconheça a existência de dois polos, denominou a polarização brasileira de "jabuticaba".
Para defender a própria tese, Santana trouxe como exemplo os Estados Unidos, onde afirmou ser um dos berços da polarização. "Em sociedades genuinamente polarizadas, existe forte coerência ideológica. Um eleitor republicano tende a ser conservador nos costumes, pró-mercado, favorável a impostos menores, favorável ao porte de armas e contrário ao aborto", disse. O baiano trouxe, então, o exemplo brasileiro: "Nosso eleitor combina, carnavalescamente, elementos tradicionalmente associados à esquerda e à direita. O mesmo eleitor pode defender o Bolsa Família e desejar menos impostos. Apoiar a polícia e defender o SUS forte. Ser contra privatizações e admirar empresários", falou. "Ou seja: somos uma sociedade mais pragmática do que ideológica", completou.
O marqueteiro também afirmou que a existência de duas lideranças nacionais carismáticas, que passaram por prisões e viveram o mesmo período, os transformaram em fenômenos eleitorais. Este acontecimento, no entanto, levou a um equívoco analítico. "A polarização, a calcificação, seja como chamam, é um espécie de 'wokismo' da análise eleitoral brasileira, que tenta transformar inclinações de votos em categorias sociológicas permanentes", colocou, acrescentando que o recorte de uma década ou pouco mais é insuficiente para a formação de opiniões definitivas.
A quem tende a pensar e classificar o status da política nacional como polarizada, Santana trouxe uma definição que pode surpreender. "O Brasil estaria mais próximo de uma sociedade moderada com elites altamente conflituosas do que de uma sociedade genuinamente dividida em dois campos ideológicos irreconciliáveis. O que se chama de polarização estrutural não passa de duas bolhas minoritárias, uma conservadora e outra progressista, que influenciam eleitoralmente amplas camadas da população. Trata-se de um fenômeno mais eleitoral do que ideológico ou sociopolítico", analisou.
Dentro da sociedade moderada que citou, Santana afirmou haver a sociedade real. "O personagem central da política brasileira, portanto, não é o militante. É o eleitor pouco engajado", disse, citando que as preocupações deste estão concentradas em resultados concretos. Ele ainda adicionou: "Se o Brasil estivesse realmente dividido em dois campos ideológicos irreconciliáveis, seria difícil explicar a longevidade do chamado Centrão."
João Santana terminou a palestra com uma última reflexão. "Ao contrário do que dizem, o 8 de janeiro é a maior prova de que o país não estava dividido em dois. Se estivesse dividido, a partir daquele dia o país entraria em guerra civil", falou.
Summit Cidades reunirá mais de 600 atrações em Florianópolis
Até quinta-feira (25), 680 atrações, entre palestras, workshops e show nacional passarão pelos 12 palcos do Summit Cidades. A realização é da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), do Consórcio Interfederativo Santa Catarina (CINCATARINA) e do Consórcio de Inovação na Gestão Pública (Ciga), com correalização do Sistema Fecomércio SC.
A edição 2026 tem como patrocinadores platinum a editora A Página, Casan, Governo do Estado de Santa Catarina e Unifique. A Caixa Econômica Federal também integra essa lista. O Summit Cidades tem patrocínios gold de BRDE e Codesul.
A parceria institucional é da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU/SC), do Consórcio Municipal Multifinalitário da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (CIM-AMFRI) e da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina.



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