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Florianópolis,10/06/2026

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Quando o remédio não chega: advogada alerta para direitos de pacientes com câncer no SUS

Especialista explica quando pacientes e familiares devem buscar orientação jurídica diante da falta de acesso a medicamentos e tratamentos


Quando o remédio não chega: advogada alerta para direitos de pacientes com câncer no SUS

O acesso a medicamentos e tratamentos oncológicos no tempo adequado voltou ao centro do debate público após a repercussão de casos em que pacientes não receberam terapias já indicadas, incorporadas ao SUS ou até garantidas por decisão judicial. Mais do que uma falha administrativa, a demora pode representar a perda de uma janela decisiva para a continuidade da vida.

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Para a advogada Dra. Jamily Borba de Alcântara, fundadora do Borba de Alcântara Advocacia e Consultoria, em Florianópolis, o tema precisa ser tratado com seriedade, sensibilidade e informação. Especialista em direitos relacionados à saúde e também paciente em remissão de um câncer, ela afirma que conhecer os próprios direitos pode fazer diferença em um dos momentos mais difíceis da vida de uma pessoa e de sua família.

Segundo a advogada, a Constituição Federal é clara ao estabelecer que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Isso significa que o poder público tem responsabilidade não apenas de oferecer políticas públicas, mas também de garantir que elas cheguem, de fato, ao paciente.

“Quando falamos de câncer, o tempo não é detalhe. O tempo faz parte do tratamento. Uma autorização que não sai, um medicamento que não chega, uma decisão judicial que não é cumprida ou uma fila que não anda podem mudar completamente o rumo de uma vida. O paciente não pode ser invisível dentro da burocracia”, afirma a Dra. Jamily.

A advogada explica que muitos pacientes só buscam orientação jurídica quando já estão esgotados emocional, financeira e fisicamente. No entanto, em situações que envolvem negativa de tratamento, demora na entrega de medicamentos, ausência de resposta administrativa ou descumprimento de decisão judicial, a orientação especializada pode ajudar a organizar documentos, identificar caminhos e buscar medidas urgentes.

“Eu falo como advogada, mas também como alguém que sabe o impacto emocional de receber um diagnóstico de câncer. Nesse momento, a pessoa está com medo, vulnerável e tentando sobreviver. Ela não deveria precisar lutar sozinha contra o sistema para ter acesso a um tratamento indicado pelo médico”, destaca.

De acordo com a Dra. Jamily, o direito à saúde não pode existir apenas no papel. Quando um medicamento é incorporado ao SUS, quando há indicação médica fundamentada ou quando a Justiça determina o fornecimento de um tratamento, é preciso que a resposta do Estado seja compatível com a urgência clínica do paciente.

“A judicialização da saúde não é o caminho ideal, mas muitas vezes se torna o único caminho possível diante da omissão. O ponto central é que o paciente precisa saber que existem direitos, prazos, responsabilidades e medidas que podem ser adotadas. Informação também é uma forma de cuidado”, reforça.

Para a especialista, o debate não deve ser conduzido apenas pelo viés jurídico, mas também humano. A falha no acesso a tratamentos de saúde atinge famílias inteiras e expõe um problema que vai além de um processo individual.

“Quando o Estado reconhece que determinado tratamento é necessário, mas ele não chega até quem precisa, existe uma ruptura grave entre a política pública e a vida real. E, na saúde, essa ruptura pode ser irreversível”, conclui a Dra. Jamily.




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