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Florianópolis,27/05/2026

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Endividamento bate recorde no Brasil; veja como reorganizar as finanças

Com 80,9% das famílias brasileiras endividadas e 81,7 milhões de inadimplentes, juros altos e crédito caro ampliam pressão sobre o orçamento doméstico


Endividamento bate recorde no Brasil; veja como reorganizar as finanças

O percentual de famílias brasileiras com dívidas atingiu em abril o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Hoje, 80,9% dos lares do país convivem com algum tipo de débito, enquanto cerca de 81,7 milhões de brasileiros enfrentam situação de inadimplência.

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O cenário reflete a combinação entre juros elevados, inflação acumulada e aumento do custo de vida, fatores que vêm pressionando o orçamento doméstico e ampliando a dependência do crédito para despesas cotidianas.

Segundo a Peic/CNC, o cartão de crédito segue como principal modalidade de dívida entre as famílias brasileiras.

Para o economista e analista de mercado da Orsitec João Victor da Silva, o crescimento do endividamento mostra que parte das famílias passou a utilizar o crédito não apenas para compras pontuais, mas também como complemento recorrente da renda mensal.

“O crédito deixou de ser uma ferramenta pontual para muitas pessoas, como a realização de investimentos ou a compra de bens de consumo duráveis, e passou a fazer parte da manutenção das despesas fixas da casa. O problema é que, com juros altos, pequenas dívidas crescem rapidamente e passam a consumir boa parte do orçamento”, afirma.

Dados citados pelo economista apontam que o cartão de crédito concentra atualmente cerca de 26,7% das inadimplências no país, cenário diretamente ligado ao alto custo das taxas cobradas nessa modalidade.

Programas de renegociação, como o Desenrola 2.0, ajudam momentaneamente na redução da inadimplência, mas não eliminam as causas estruturais do endividamento. Em um ambiente de juros elevados e desaceleração econômica, a reorganização financeira das famílias se torna mais difícil.

“O Desenrola trouxe alívio imediato para muitas famílias, mas renegociação sem educação financeira tende apenas a recalibrar o problema para frente”, explica.

Expansão do crédito ampliou pressão sobre orçamento das famílias

Além dos juros elevados, o avanço do crédito nos últimos anos também ajuda a explicar o crescimento do endividamento no país.

O estoque de crédito no Sistema Financeiro Nacional passou de R$ 3,7 trilhões em 2019 para R$ 6,9 trilhões em 2025, movimento impulsionado principalmente pelas políticas de estímulo adotadas durante e após a pandemia.

Ao mesmo tempo, o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, menor resultado desde a pandemia, enquanto o consumo das famílias e os investimentos perderam ritmo ao longo do período.

Na prática, o crédito barato ampliou temporariamente a capacidade de consumo das famílias, mas o cenário mudou com a elevação dos juros e o aumento do comprometimento da renda com parcelas e financiamentos.

“O crédito barato por muito tempo cria uma sensação artificial de capacidade financeira. Quando os juros sobem, o peso das parcelas começa a aparecer no orçamento”, afirma João Victor.

O avanço dos pagamentos digitais e do uso constante de cartões também reduziu a percepção imediata dos gastos cotidianos, favorecendo compras impulsivas e o acúmulo gradual de pequenas despesas ao longo do mês.

Veja orientações para reorganizar as finanças

Coloque as contas na mesa

Reunir a família e entender exatamente quanto dinheiro entra e para onde ele vai é o primeiro passo para reorganizar o orçamento.


Priorize as dívidas mais caras

Do ponto de vista financeiro, dívidas com juros maiores devem receber atenção primeiro, já que crescem mais rapidamente ao longo do tempo.


Comece pelas pequenas vitórias

Quitar dívidas menores pode ajudar emocionalmente no processo de recuperação financeira e aumentar a motivação para continuar.


Evite depender do crédito no dia a dia

Cartão de crédito e cheque especial possuem juros elevados e podem ampliar rapidamente o nível de endividamento.


Reduza gastos impulsivos

Pagamentos digitais e uso constante de cartões podem reduzir a percepção imediata dos gastos cotidianos.


Evite contratar novos empréstimos para pagar dívidas antigas

Essa prática tende apenas a empurrar o problema para frente e prolongar o endividamento familiar.




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