Kelly Corrêa
Climatério: o que ninguém nos contou sobre a fase que transforma o corpo e a alma da mulher
Há alguns dias, participei de uma conversa muito especial com médicas da área da saúde íntima feminina. Falamos sobre um tema que ainda é cercado por dúvidas, medos e até certo silêncio: o climatério.
A verdade é que, ao me aproximar dos 46 anos, percebo que esse assunto deixou de ser apenas uma informação profissional e passou a fazer parte da minha própria experiência como mulher.
Muitas de nós fomos preparadas para a primeira menstruação, para a gravidez e até para a maternidade. Mas poucas receberam orientações sobre a fase de transição entre o período fértil e a menopausa.
E talvez seja justamente por isso que tantas mulheres se sintam perdidas quando começam a perceber que algo mudou.
A disposição já não é a mesma. O sono fica mais leve. O humor oscila sem explicação aparente. A memória parece falhar em momentos inesperados. O desejo sexual pode diminuir. A pele muda. O corpo muda.
E, muitas vezes, a mulher se pergunta:
“O que está acontecendo comigo?”
A resposta pode estar no climatério.
O que é o climatério?
O climatério é uma fase natural da vida feminina, marcada pela redução gradual da produção dos hormônios, especialmente o estrogênio.
Ele pode começar anos antes da menopausa e provocar mudanças físicas, emocionais e comportamentais.
Não é uma doença.
Não é um defeito.
Não significa envelhecer de repente.
É apenas uma nova etapa da jornada feminina.
Quando os hormônios diminuem, o corpo fala.
Entre os sintomas mais comuns estão:
* Ondas de calor (fogachos)
* Alterações do sono
* Cansaço frequente
* Ganho de peso, principalmente abdominal
* Ressecamento da pele
* Redução da lubrificação íntima
* Queda da libido
* Oscilações de humor
* Ansiedade
* Irritabilidade
* Sensação de tristeza ou desânimo
Cada mulher vive essa fase de maneira única.
Algumas sentem poucas mudanças. Outras enfrentam desafios mais intensos.
Por isso, a comparação nunca ajuda. O autoconhecimento, sim.
A saúde emocional merece atenção.
Durante muitos anos ouvimos que tudo era “coisa da cabeça”.
Mas hoje sabemos que as alterações hormonais podem influenciar diretamente o bem-estar emocional.
Por isso, acolher os sentimentos é tão importante quanto cuidar do corpo.
Buscar apoio psicológico, conversar com amigas que estejam vivendo a mesma fase e permitir-se desacelerar podem fazer toda a diferença.
Nem sempre precisamos ser fortes o tempo todo.
Pequenas atitudes que ajudam muito.
As médicas foram unânimes em um ponto: hábitos diários têm um impacto enorme na qualidade de vida durante o climatério.
1. Movimente-se
A atividade física ajuda a preservar massa muscular, protege os ossos, melhora o humor e reduz a ansiedade.
Caminhar já é um excelente começo.
2. Cuide do sono
Dormir bem deixou de ser luxo.
É necessidade hormonal.
Criar uma rotina para dormir, reduzir telas à noite e evitar excesso de cafeína pode ajudar bastante.
3. Invista em uma alimentação anti-inflamatória
Priorize:
* Frutas
* Verduras
* Legumes
* Proteínas de qualidade
* Castanhas
* Água
E reduza o excesso de açúcar, ultraprocessados e bebidas alcoólicas.
4. Preserve sua saúde íntima
A lubrificação natural pode diminuir nessa fase.
Existem alternativas seguras para manter conforto, bem-estar e qualidade de vida íntima.
Converse com seu ginecologista e não normalize desconfortos que podem ser tratados.
5. Faça seus exames regularmente
Acompanhamento médico é fundamental.
Essa é uma fase importante para monitorar saúde cardiovascular, óssea, metabólica e hormonal.
Uma nova versão de nós mesmas
Talvez o maior desafio do climatério não seja a mudança hormonal.
Talvez seja aceitar que estamos entrando em uma nova versão de nós mesmas.
Uma versão mais madura.
Mais consciente.
Mais seletiva.
Mais livre da necessidade de agradar a todos.
Existe uma beleza profunda nessa fase da vida.
Uma beleza que não depende da juventude.
Depende da sabedoria.
De mulher para mulher
Se você está vivendo o climatério, quero lhe dizer algo que também digo para mim mesma:
Você não está ficando para trás.
Você não está perdendo valor.
Você não está sozinha.
Seu corpo está apenas escrevendo um novo capítulo da sua história.
E toda mulher merece viver essa fase com informação, acolhimento, saúde e dignidade.
Porque a menopausa não é o fim da feminilidade.
É apenas o início de uma nova forma de florescer.
Kelly Corrêa
Sexóloga, Terapeuta Sexual e escritora.



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